O frio alastra-se por entre as calçadas, nas casas, no vento que invadi o ônibus e refresca meu rosto, entrando nos poros. O outono traz novas formas e cores à fotografia paulistana. Uni as pessoas e as torna belas. Os casais de namorados ali na esquina estão mais juntos naquele beijo que esquenta. O carinho aumenta e a falta de um colo me domina. Aquele conforto que só que ama sabe que encontra no amante. É a friagem que pede companhia e abrigo para se aquecer nos corações apaixonados.
Aquele ar gélido carrega consigo as minhas melhores recordações adolescentes. Num instante me preenche com a saudade dos tempos que apaixonar significava distração. E que o amor juvenil seria eterno. Bem diz o poeta, eterno enquanto dure. Geralmente ficava meses perpetuando o sofrimento pelo amor não correspondido. Lembro-me e a risada disfarçada no canto da boca aparece. Como tudo é intenso aos 14 anos. Os hormônios entram em conflito e faz com que tudo tenha que correr contra o tempo. Um minuto é muito e tudo pode acontecer nele.
Ao meu lado, a menina com seu MP10 ouvi Cazuza. Ele canta “eu quero a sorte de um amor tranqüilo”... Eu também, penso enquanto a viagem não termina. Nem que só por hoje que a solidão vaga em mim, por mais que o ônibus esteja lotado com os corpos quase sobrepostos. Na realidade, sei que estes dias de frio é um tormento a uma alma apaixonada, que necessita de um amor, nem que seja instantâneo para preencher-se.
É, estou carente...
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